A partir da criação dos primeiros blocos antecessores à União Europeia, como o BENELUX e o CECA, já era possível perceber um interesse das nações do continente em formar uma integração em diversas áreas da economia. Com a agricultura, não foi diferente.
Em 1961, ainda durante a vigência da Comunidade Econômica Europeia, foi colocado em prática um programa que objetivava unificar as políticas agrícolas dos países membros, eliminando as barreiras alfandegárias de exportação e importação entre as nações do grupo e unificando os preços do comércio com o exterior.
Assim sendo, a PAC (Política Agrícola Comum), como ficou conhecido o projeto, caracteriza-se como um protecionismo que visa garantir os lucros do mercado agrícola europeu. A principal justificativa para sua criação foi a alta no preço das terras para cultivo dos fazendeiros do continente. O crescimento demográfico e o rápido ritmo de urbanização supervalorizou o preço do solo cultivável, ameaçando a concorrência do setor primário europeu com o restante do mundo.
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As políticas da PAC estendem-se a diversos setores da agricultura. Entre eles, podemos citar:
- Garantir a produção alimentícia em quantidade o suficiente para toda a Europa;
- Apoiar os pequenos e médios agricultores e as comunidade agrícolas;
- Auxiliar na modernização da agricultura;
- Proteger os produtores rurais contra a variação dos preços e crises econômicas, através de subsídios;
- Garantir a proteção e a qualidade dos alimentos;
- Seguir técnicas agroecológicas que garantam um equilíbrio com o meio ambiente.
Para dar sustentação às práticas da PAC, foi criado o Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola, o FEOGA. Este sistema é dividido em dois ramos. O primeiro, o FEOGA Orientação, é centrado em oferecer subsídios aos agricultores com o objetivo de controlar os preços. O outro, é o FEOGA Garantia, que foca em programas para o aprimoramento de técnicas agrícolas.
Principais países beneficiados pela PAC em 2004 |
Nos últimos anos, porém, a PAC vem sofrendo diversas alterações. Primeiramente, porque ela precisava se adaptar às novas formas de globalização informacional. Segundo por conta das críticas dos países não-desenvolvidos à OMC (Organização Mundial do Comércio) pelo protecionismo europeu que impedia a livre concorrência com outras nações.
Produção agrícola europeia
Uma política especial para a agricultura na Europa se faz importante devido ao controle do continente na produção de diversos gêneros agrícolas. A boa disponibilidade de solos somada com a constante mecanização no campo faz da agricultura europeia uma das mais viáveis do mundo.
Um dos grandes destaques do setor no continente é a produção de cereais, que se beneficia do fértil solo tchernozion, na Ucrânia, líder na produção de trigo. Destacam-se também Alemanha, França, Itália e Rússia. Outros cereais como o centeio, a aveia e a cevada também adquirem importância no cenário europeu. O centeio é usado na produção de pães, a aveia na alimentação do gado e a cevada na produção de cerveja.
Países de clima mediterrâneo como Portugal, Espanha, França e Itália destacam-se na produção de azeite e vinho. Alguns produtos são exclusivos, por fatores climáticos e pedológicos, desta região, garantindo o monopólio em seu cultivo e posições avantajadas no comércio mundial.
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